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Falando de Caculé - Por Luzmar Oliveira

Quinta / 04 Ago 2016 / 15h17
Foto: Reprodução

Falando de Caculé...

Quando entrava de férias da escola, arrumava a mala e corria pra Caculé. Lá moravam minhas irmãs Lourdes e Oneide. Normalmente ficava na casa da segunda, pois era mais parecida comigo, e por ser mais jovem que a outra, me deixava mais à vontade. Não que Madrinha Lourdes pegasse no meu pé, mas com Oneide e meu cunhado Orlando, tinha mais abertura para conversar.

 

Foi ali que tive meu primeiro namorado, o segundo, o terceiro... e todos rapazes lindos. Meus primeiros amores... Aliás, um deles, postulante a jogador de futebol, foi um dos homens mais bonitos que já conheci. Amores de uma adolescente cheia de sonhos, menos o de entrar numa igreja de véu e grinalda e assinar um compromisso que não queria ter. Namorar era bom demais, mas, quando se falava em casamento, o grito de liberdade que me é inerente, era bem mais alto e sonoro. (Aceito uniões, mas não amarrações documentadas. Nunca me casei oficialmente. Nada contra quem aceita, mas eu sou livre por natureza e nenhum documento me fará ser fiel se o amor acabar. Eu sou fiel sim, mas ao que sinto e ao que sentem por mim.)

 

Caculé, na época, era uma cidade pequena e bonita. Uma praça com um lindo jardim de Fícus, todos podados, um caramanchão no centro e um gramado verdinho. Não havia bancos. A gente ficava passeando de um lado pra outro no passeio do lado mais alto, e os rapazes ficavam em pé, conversando. Ali nasciam paqueras e amizades. 

 

Caetité, pequenina e ilustre – Por Luzmar Oliveira

Domingo / 12 Jun 2016 / 16h19
Foto: Reprodução

Geração anos sessenta

Sentados no banco da praça, olhávamos as pessoas passeando, num sobe e desce incansável. Mocinhas e rapazinhos bem vestidos se paqueravam, entre sorrisos e troca de olhares. Em outros bancos, alguns casais de namorados se beijavam. Grupinhos de moças cochichavam e sorriam. E grupinhos de rapazes, parados estrategicamente nas laterais do passeio, diziam coisas interessantes e bem humoradas, com a intenção de "mexer" com as garotas.

 

“A mais bonita é a de sapato vermelho!” Todas olhavam imediatamente para os pés... e nenhuma estava com o calçado daquela cor. Mas tudo terminava em sorrisos. Gostoso mesmo era quando o mocinho se aproximava e dizia que queria falar com a mocinha. E timidamente a pedia em namoro. Após o “sim”, vinha a fase das “mãos dadas”; depois, com o passar o tempo, começavam os abraços, os beijos... e quase sempre parava por ai. Era uma época de pureza e simplicidade. O sexo ficava para mais tarde. Ou até depois do casamento. Não havia essa facilidade de remédios, camisinhas... Mas também não havia essa proliferação de doenças sexualmente transmissíveis. Na verdade, o que mais impedia a liberação sexual era a família. Ela se impunha decididamente. 

Caetité, pequenina e ilustre – Por Luzmar Oliveira

Terça / 17 Mai 2016 / 22h46
Foto: Arquivo | Sudoeste Bahia

O famoso Mulungu

 

Quando a romaria de Bom Jesus da Lapa se aproximava, os comerciantes instalados e informais começavam a se preparar para as vendas. Eram barracas por todo o Mulungu. Algumas feitas de palha de coqueiro. E ali se vendia “café com massa” (expressão regional, que significava café, leite, pão com manteiga, bolo e outros opcionais). Saía também o famoso “PF”, que continha arroz, feijão, galinha ou carne e alguma verdura. Ah! E farinha! Qual nordestino não ama a farinha de guerra? É a farinha feita de mandioca brava, irmã do aipim. E de cuja folha se faz aquele refogado delicioso, a famosa maniçoba.

 

Mas o gostoso mesmo era a laranja. Balaios e carrinhos de caixão lotados. E como eram doces! Havia até uma maquininha com manivela giratória para descascar aquela fruta e a casca saia em uma tirinha bem fina, o que encantava meus olhos de menina e, mais tarde, de adolescente. Ainda hoje quando (raramente) a vejo, fico toda contente.

 

Naquela época o Mulungu era bem menos habitado, sem calçamento, e não era bem urbanizado. Mas era o ponto de maior movimento de Caetité. Alguns hotéis, postos de gasolina, escola, posto de saúde e era onde ficava a famosa “bomba”, ou seja, uma pseudo-rodoviária, onde paravam todas as linhas de ônibus que serviam à cidade, e era ali a entrada e saída de todos nós! 

Caetité, pequenina e ilustre – Por Luzmar Oliveira

Domingo / 01 Mai 2016 / 18h59
Foto: Reprodução

Caetité e seus guetos

 

Outro dia estava batendo um gostoso papo com uma amiga e conterrânea, quando ela me disse: “Ora Luz, o chique de Caetité era morar na Rua Barão!” Dei uma boa gargalhada, mas acabei concordando com ela. Nós nos referíamos aos anos sessenta, claro. 

 

Caetité é uma cidade serrana, enladeirada, de clima agradável e muito frio no inverno. Chegou a ser cogitada, ainda na época do império, para ter um centro de tratamento da tuberculose, que seria no Hospital Regional, que para isso foi construído. Mas nunca aconteceu. E a Rua Barão de Caetité fica no seu ponto mais alto, tendo assim um clima muito mais agradável.

 

Concordei por diversos fatos. Era a maior rua da cidade, a mais habitada. E ali estavam todos os “doutores”. Os da medicina, os das leis... e uma grande leva de professores, que eram, assim, os cidadãos mais brilhantes e respeitados. Sim, pois naqueles tempos professor era respeitado, admirado, valorizado pela sociedade (embora nunca o tenham sido pelo governo, em se tratando de salário). Ali também havia morado o homem que deu seu nome à rua, o Barão de Caetité, Dr. José Antônio Gomes Netto, um nobre magistrado nascido em Ceraima (Guanambi, que àquele período pertencia a Caetité), e foi um grande líder político da nossa Vila Nova do Príncipe. E também o seu genro, Dr. Joaquim Manoel Rodrigues Lima, o primeiro governador constitucional da Bahia.

Caetité, pequenina e ilustre – Por Luzmar Oliveira

Quarta / 24 Jun 2015 / 14h03

Falando ainda das fogueiras...

 

E hoje é 24 de junho, o dia de São João! O dia pós-fogueira e forró! Feriado no nordeste inteiro! Ressaca dos que curtiram o “Arraiá”! Dia de batata assada, café com chimango, cheiro de fumaça no ar. Nas ruas, restos das fogueiras e pouca gente. O céu cinzento nos mostra que o inverno chegou. Faz frio. O sol timidamente clareia o dia, mas o vento refresca o tempo. O silencio substitui o alarido dos fogos da noite anterior. Mas, de repente e não mais que... um ou outro estalo se faz ouvir. A meninada cata no chão o que perdeu ontem e, aproveitando as brasas meio mortas que se escondem nas cinzas, queimam umas bombinhas e traques. E São João acorda feliz!

 

Há uma tradição que conta que ele, o dono do dia, dorme durante a véspera. É uma lenda que afirma que se o santo do carneirinho acordar durante as comemorações, o mundo acaba. E eu, menina, imaginava: Que sono pesado esse santo deve ter, pois, com tanto barulho, não consegue acordar... E se acordar? Vixe... O mundo vai pras “cucuias”!

 

Manhã de 24 de junho... Qual a criança da minha época que nunca assou batata doce no borralho da fogueira na manhã seguinte à noite de São João? Era “um tal” de enterrar a danada, recobrir com cinzas e brasas e, com uma varinha ou um garfo, ficar, de dois em dois minutos, verificando se já estava boa. E com a casca sapecada, a retirávamos dali e, mesmo antes de esfriar, a partíamos ao meio, passávamos manteiga e a devorávamos inteira! Êta coisa deliciosa! Um verdadeiro banquete no café da manhã! A boca se enche de água só pela lembrança...

Caetité, pequenina e ilustre – Por Luzmar Oliveira

Sábado / 09 Mai 2015 / 22h49

Tuninha de vira – uma personagem marcante na história de Caetité

           

Este texto está sendo escrito por uma caetiteense, que viveu grande parte da sua vida em contato quase que diário com Tuninha e que teve sua infância e adolescência influenciada por ela, guardando, assim, inesquecíveis recordações do tempo desse convívio. Ao narrar algumas histórias, acentuo minha forma de perceber o perfil dessa mulher comprometida com os princípios da religião católica, que assistia assiduamente os atos da Igreja e era muito cuidadosa com a formação religiosa dos jovens da sua época que, também, frequentavam a Catedral de Nossa Senhora de Santana.

 

A nova geração de caetiteenses não conheceu Tuninha. Não sei bem o ano em que ela faleceu, mas já faz algum tempo. Faleceu em pleno uso das suas faculdades mentais. Não sabíamos nada sobre a sua família e o seu passado. Mas ela preenchia todo o seu tempo com diversas atividades, principalmente ligadas à religião. Tive a minha infância, cresci, tornei-me uma jovem, convivendo com a figura desta mulher. E tenho certeza que muitos dos meus contemporâneos guardam lembranças vivas da sua atuação nos atos litúrgicos, da sua constância nas missas, nas novenas, nas procissões, nos sermões, enfim, em todas as manifestações da vida religiosa de Caetité. Não tenho ido nessa cidade frequentemente. Moro em Salvador e escrevo sobre um tempo de anos atrás. 

Caetité, pequenina e ilustre – Por Luzmar Oliveira

Domingo / 26 Abr 2015 / 23h15

Caetité é amor

 

Meu amigo Zé Barreira, o atual prefeito da nossa Caetité, costuma me dizer que se admira do quanto sou apaixonada por aquela terra. Realmente eu a amo muito. Adoro aquela cidade plantada entre serras, com clima ameno e gente boa demais. Tão boa que, mesmo não tendo nascido ali, a adotou pelo resto da sua passagem terrena. E fala dela como se realmente fosse caetiteense de nascimento. Até parece que Deus plantou Seu umbigo naquelas plagas, tal o carisma que a caracteriza e torna encantadora.

 

Recentemente Glorinha, que nasceu em Riacho de Santana e estudou e trabalhou em Caetité, criou um grupo no “Zap zap” com o nome de “Amigos de Caetité”. Um monte de mulheres e apenas um homem, nosso querido Dão. Mas é tanto amor que se derrama ali, que me deixa boba, babando. São mensagens carinhosas e, se acaso surge um vídeo com fotos da terrinha, “saudades” é o nome mais comentado. E enlevados por esse sentimento, todos sonham em fazer uma grande visita ao lugar durante a famosa e esplêndida Festa de Santana. Reencontrar amigos, lugares, raízes. Matar saudades. Se deliciar com suas guloseimas características. Respirar seu ar e pisar seu chão. Ser feliz como antigamente. Caetité é amor. Não tenho dúvidas. “Amor que nunca morre” como diria Quintana, pois é amor amigo. Eterno. 

Caetité, pequenina e ilustre – Por Luzmar Oliveira

Terça / 14 Abr 2015 / 23h05

...Dos jantares em família

 

Eu nunca gostei de jantar. Mas meu pai adorava uma farofinha de carne rasgada (desfiada) ou com a sobra do frango do meio dia. E eu sempre “bicava” um pouco. Na verdade, fomos acostumados à sopa e ao café com “massa” à noite. Ah! “Com massa” quer dizer com pão com manteiga e outras coisinhas bastante sertanejas. A família se sentava ao redor da mesa para cear... Por nunca haver gostado de beber café, tomava o famoso Toddy.

 

Onde perdemos esses costumes? Onde deixamos de ser juntos, unidos, companheiros? Na lida do dia a dia? Na pressa das escolas noturnas, do transporte atrasado, das novelas, do Face, do “zapzap”? No trabalhar fora?

 

Uma mesa sempre agregou seus ocupantes. E ali residia um grande percentual da educação que os pais nos davam. Em algumas casas orava-se antes de comer. Mas em todas o costume era ter boas maneiras, lavar as mãos antes, só falar de coisas saudáveis e agradáveis. Uma cabeceira era do pai e a outra era da mãe. E os filhos se espalhavam pelas laterais. Não é que se ensinasse o uso corretíssimo dos talheres e do guardanapo. Não. Éramos um povo simples. Mas fazíamos questão da limpeza e educação. E a hora das refeições era sagrada!

Caetité, pequenina e ilustre – Por Luzmar Oliveira

Terça / 07 Abr 2015 / 23h15

Eu fui testemunha ocular...

 

Hoje me senti tão importante! Postei uma frase da música “A Noite do Meu Bem” de Dolores Duran e, em seguida, Ivani Neves comentou: “Faz parte do meu repertório!” 

 

Ah! Como me orgulho de ser testemunha ocular disso! De tê-la ouvido cantar essa e muitas outras músicas maravilhosas. Granada se imortalizou em sua voz aqui dentro de mim. Ela e Ínis eram, ou são, para minha pessoinha, as melhores daquela época.

 

É claro que houve muitas outras e muitos outros. Agna emprestou sua voz com louvor a muitas canções, marcando definitivamente com “Casaco Marrom”, sucesso de Evinha (irmã do Trio Esperança e Golden Boys). E Mário Gil brilhava com as serenatas, assim como Nengo, Zequinha, Basílio e uma infinidades de nomes.

Caetité, pequenina e ilustre – Por Luzmar Oliveira

Sábado / 28 Mar 2015 / 13h25

No teatro centenário de caetité

 

Eu devia ter cinco ou seis anos. Meus pais eram os “festeiros” do 2 de Julho. “Festeiro” era o nome que se dava aos responsáveis pelo evento. A cada ano uma família era encarregada.

 

Para se levar a termo toda a comemoração, necessitava-se de dinheiro. Então bolaram encenar duas peças no nosso magnífico Teatro Centenário (aquele que foi derrubado para dar lugar a uma agenciazinha do Brasdesco. Coisas de quem abomina a sagrada cultura de um povo. Perdoai-os nobres Sr Durval Castro, mentor da sua construção e Sr João Antônio dos Santos Gumes, o grande arquiteto). Começava ali as minhas incursões nessa fascinante arte! E minhas excursões pelo saudoso e esplêndido Teatro Centenário de Caetité.

 

Percorri cada milímetro daquele prédio e, quanto mais o fazia, mais meu coraçãozinho se apaixonava por ele. Creio haver nascido com o sangue da arte nas veias. A paixão por ela sempre me moveu em todas as suas direções, ensaiando a pintura em tela, o desenho, o teatro, o artesanato e muitas outras coisas. 

Caetité, pequenina e ilustre – Por Luzmar Oliveira

Terça / 17 Mar 2015 / 21h01

Um simples suco de frutas...

 

Acordei um pouco mais tarde por ser domingo.

Ia fazer a vitamina de banana costumeira, quando resolvi mudar. Apanhei as bananas, o mamão madurinho, o suco de laranja, as castanhas e a granola. Voltei no tempo.

 

Não havia energia diurna naquela ocasião. Era de motor e só funcionava à noite. Dinha Nenza, minha terceira irmã, espremia as laranjas, passava as bananas e o mamão na peneira de arame, colocava um pouco de açúcar e estava pronto o melhor suco de frutas que já tomei em toda a minha vida. Todas elas colhidas no quintal da nossa casa. E o amor como ingrediente principal.

 

Meu coração sorriu. Ficou feliz com aquelas lembranças, muito embora a saudade também tenha feito eco às suas batidas. Como é bom relembrar as coisas boas que arquivamos em nossa memória! Como sou grata à vida por haver-me proporcionado experiências amorosas em família.

 

Senti-me menina, pés descalços, cabelos finos e encaracolados, miúda, feliz, correndo pelas ruas da minha amada Caetité. Sentindo no rosto o vento frio e abençoado daquela região serrana.

Caetité, pequenina e ilustre – Por Luzmar Oliveira

Quarta / 11 Mar 2015 / 23h36

Uma cidade católica por excelência

 

“Eu sei que vocês gostam muito de uma santa! É uma santa muito feia!”

E eu, criança, ouvia assustada aquele padre desconhecido com sotaque estrangeiro, andando de um lado para o outro a gesticular e falar alto. Ele fazia parte de um grupo que ia pelas cidades na “Santa Missão”. Celebrou naquele domingo a missa das nove horas, a das crianças. O vi apenas uma única vez, mas jamais o esqueci. “E essa santa é a santa preguiça!” Concluiu.

 

Ah! Senti-me aliviada, ele não estava ofendendo nenhuma das santinhas da nossa igreja. Se bem que havia por lá uma imagem que, com o coração cheio de culpa, achava muito feia.

 

Eu era uma menina católica e sentia orgulho disso, pois essa era a religião predominante na terra de Senhora Santana. Assistia todos os domingos à missa das nove, tomando a comunhão após confessar-me no sábado aos pés de algum padre. De joelhos! E cumpria a penitencia que era dizer alguns Pai Nossos e Ave Marias.

Caetité, pequenina e ilustre – Por Luzmar Oliveira

Quarta / 04 Mar 2015 / 00h00

Meus vizinhos da Dois de Julho

 

Meus pais tiveram uma origem humilde. O velho Tobias nasceu em uma fazenda próxima a Bom Jesus da Lapa, de nome Favelândia. Minha mãe, Ana Maria (ou dona Doninha), na Canabrava dos Caldeiras, distrito de Caetité. Começaram sua vida trabalhando na roça, puxando enxada, fazendo cercas, plantando sementes. Ele nos contava muitas histórias (talvez eu tenha herdado isso dele...). Certa feita foi com meu tio Antônio, seu irmão mais velho, seu concunhado Tio Zé Nobre e outros companheiros para São Paulo, a fim de trabalhar “de ganho” nas roças. Naqueles tempos, para chegarem lá, iam na carroceria de um caminhão (“Pau de arara”) até o norte de Minas Gerais onde saltavam e prosseguiam a pé até Pirapora, a fim de tomarem o trem para a terra dos bandeirantes. Para isso, atravessavam uma ponte sobre o Rio São Francisco, por onde passava a linha férrea. Tio Zé Nobre ficou para trás e, justamente quando estava no meio dela, surgiu a majestosa “Maria Fumaça”. Que suspense! Muito assustados, esperaram o pior... E eis que o trem atravessa e... Tcham! Tcham! Tcham! Tcham! Eles vêem o companheiro dependurado, segurando-se em um dormente. Correram em seu auxílio aliviados. E haja aventuras similares!

Caetité, pequenina e ilustre – Por Luzmar Oliveira

Sábado / 21 Fev 2015 / 12h28

Meu velho jardim de infância

 

Se eu fechar os olhos, enxergo, com incrível nitidez, dona Nadir, dona Cecê e Té. É como uma viagem no tempo.

 

Atravessava o portão com minha fardinha (avental) branca, sacolinha tipo envelope a tiracolo. Meu nome bordado com letras vermelhas. Subia a primeira escada do Pavilhão Goes Calmon e acessava a sala do Jardim de Infancia das Escolas Anexas ao Colégio Estadual e Escola Normal de Caetité. Ali encontrava coleguinhas e amigos que ate hoje percorrem os caminhos da vida comigo. Juntos há mais de seis décadas. Celina, Tânia, Ana Helena, Dauzinho, Ene, Márcia, Reinaldo Caju, Welton... e muitos outros.

 

Na ampla sala, três enormes mesas de madeira apropriadas para crianças. Em três alturas diferentes. Cadeirinhas de madeira forradas com couro. Lindas! Também em três tamanhos ou altura. Uma gangorra em forma de meia lua, um velocípede enorme. Bolas. Bonecas. Gravuras nas paredes. O piso era de madeira (assoalho). E o bando de crianças, de alegria!

 

Caetité, pequenina e ilustre – Por Luzmar Oliveira

Quinta / 12 Fev 2015 / 06h00

Passeando no Mulungu

 

A única entrada para a cidade passava pelo Mulungu e Rua Dois de Julho. No primeiro não havia calçamento, era cascalho ou barro. A outra era calçada com pedras irregulares, mais tarde com paralelepípedos.

 

O Mulungu era uma espécie de “Bairro da Saudade”, pois por ali partiam nossos amores, nossos amigos e até nós mesmos. Também chegavam, ou chegávamos, para passar as férias. Como não havia rodoviária em Caetité, os ônibus paravam no Hotel de Zizi, ou seja, na “bomba”. E também porque era (e ainda é) caminho para a “última morada” de todos nós.

 

Não existiam faculdades e nem escolas técnicas na região. Todos que queriam um diploma de nível profissionalizante ou superior debandavam para os grandes centros em busca dos seus sonhos. Era preciso crescer. Crescer e voltar para o lar doce lar. Mas nem sempre a volta acontecia. Novos rumos, novos sonhos, novos trabalhos, novos amores. E a “pequenina e ilustre” ficava para trás. As maravilhas da nossa meninice se perdiam na poeira daquele cascalho para, mais tarde, serem relembradas na saudade. E que saudade!